Alberto da Cunha Sampaio
(1841-1908)

Nascido em Guimarães, Alberto da Cunha Sampaio formou-se em Direito (1863) pela Universidade de Coimbra e foi íntimo de Antero de Quental. Segundo José Bruno Carreiro: "Alberto Sampaio era o seu companheiro e confidente nas letras; era bem o seu irmão pela capacidade intelectual, pelo carácter e pela bondade do coração" (in Antero de Quental Subsídios para a sua biografia, I, p. 142). Pertenciam ainda ao grupo de Antero: José da Cunha Sampaio, irmão de Alberto, Germano Vieira de Meireles e António de Azevedo Castelo Branco. Colaborou na Revista de Portugal, Portugália e Revista de Guimarães, versando em especial estudos de carácter económico.

Alberto Sampaio tornou-se amigo de Francisco Martins Sarmento, acompanhando-o nas suas pesquisas arqueológicas. Foi guarda-livros do Banco de Guimarães (1874-1876) e quiseram elegê-lo deputado, coisa que ele recusou. Os seus trabalhos foram compilados postumamente, em 2 volumes, com o título Estudos Históricos e Económicos (1923). Luís de Magalhães, que escreveu o prefácio, afirma a dada altura: "Em Guimarães ou na casa paterna de Boamense, em Famalicão, passou, pode dizer-se, quase toda a sua vida. Os trabalhos agrícolas e as pesquisas históricas absorviam-no" (p. VII, do 1.°vol.).

Dadas as amizades que manteve com António de Azevedo Castelo Branco, Germano Vieira de Meireles e Francisco Martins Sarmento, amigos e um deles sobrinho de Camilo, não admira que Alberto Sampaio se tenha relacionado com o romancista, de quem aliás era vizinho. Mas dessas relações poucos vestígios ficaram.

Numa carta a Castilho, a propósito Da Glótica em Portugal, de Manuel de Melo, Camilo traça um curioso perfil de Alberto Sampaio: "Recebi as 80 páginas da Glótica. Emprestei-as a um judicioso germanista, Alberto da Cunha Sampaio que vive perto desta casa. Rapaz de 33 anos, que lê alemão, grego, inglês e latim correntemente. Escreveu, há anos, óptimos artigos à Montaigne num periódico de António Augusto [Teixeira de Vasconcelos]. Depois, deu-se à agricultura, e fabrica champanhe. Pertenceu à seita do Antero, e hoje pasma-se da tolice de todos. De vez em quando vai a Paris; passa dois meses no Bois a ler os livros modernos, e volta para a sua quinta de Boamense. Bela vida!" (in Correspondência de C. C B., de A. C., ed Livros Horizonte, IV, p. 111; carta s/d, mas de 12-6-1873).

Em 1874, quando foi director da empresa Leitura para Todos, Camilo teve como colaboradores efectivos Germano Meireles e Alberto Sampaio, de acordo com a notícia de O Primeiro de Janeiro (n.°155, de 12 de Julho). No ano do Centenário da Morte de Camilo (1990), o Centro de Estudos Camilianos, de Vila Nova de Famalicão, editou Camilo em Landim, constituído por um acervo de cartas inéditas de Camilo, com leitura, introduções e notas de Emília Sampaio Nóvoa Faria.

Do espólio epistolográfico constam 13 cartas de Camilo a Alberto Sampaio que esclarecem sobretudo a colaboração desinteressada que este prestou ao romancista na tradução de A Formosa Lusitânia, de Lady Jackson, chegando a traduzir integralmente três capítulos, coisa que Camilo não tornou público.

Em 1991 foi editado pela Câmara Municipal de Famalicão o vol. Dispersos, de Alberto Sampaio, organizado também por Emília Sampaio Nóvoa Faria.

In CABRAL, Alexandre - Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa : Caminho, 2003