Bernardo Pinheiro Correia de Melo Pindela
(1855-1911)

Literariamente conhecido por Bernardo Pindela (da família Pindela), conde de Arnoso, escritor, pertenceu ao grupo Os Vencidos da Vida e exerceu funções palacianas nos reinados de D. Luís e D. Carlos.

Desempenhou algumas missões diplomáticas: Pequim (1887); acompanhou o rei D. Carlos a Inglaterra (1901) por ocasião do falecimento da rainha Vitória, e acompanhou o príncipe Luís Filipe aquando da coroação do rei Eduardo VII (v. O Ocidente, n.º 1167, de 30-5-1911, p. 119).

Dos livros publicados destaque para Azulejos, com prefácio de Eça Queirós, de quem foi íntimo.

Amigo de Camilo, como foram seu pai, o 1.º visconde de Pindela (João Machado Pinheiro Correia de Melo), e seu irmão, o 2.° visconde de Pindela (Vicente Pinheiro Lobo Machado de Melo e Almada), o conde de Arnoso deve ter sido uma das primeiras pessoas a informar o escritor da breve concessão do título de visconde, como se depreende da carta do romancista a Tomás Ribeiro, o efectivo patrocinador da graça régia: "Recebi agora os parabéns do Bernardo Pindela. Em vista disto demoro-me aqui até 2.ª feira. Não quero aparecer no Porto quando se discute o mérito do agraciado. Isto não é bem modéstia: é medo às trovoadas de lama que ali se fazem" (in Cartas de Camilo Castelo Branco a Tomás Ribeiro; s/d, mas seguramente 1855).

Bernardo Pindela foi intermediário de petições várias de Camilo ao rei, como no caso da libertação de uma presa protegida pelo seu último editor, Eduardo da Costa Santos, a quem informa: "Vou pedir ao Bernardo Pindela ajudante de el-rei, que peça ao poder moderador o indulto da requerente; mas, se o meu amigo vê que o caminho a seguir é outro, queira esclarecer-me. Não sei destas praxes; e desconfio que o conselho de estado é quem decide estes processos. Avise-me" (in Correspondência de C.C.B., de A. C., Ed. Livros Horizonte, p. 177; carta de 12-3-1886).

Na Casa-Museu de Camilo, em S. Miguel de Ceide, encontram-se algumas cartas do conde de Arnoso, aliás registadas no Camilo Homenageado. Numa, de 12-9-1882, refere-se à "descoberta que fez com relação ao Ferreira da Castro". Trata-se do capítulo "Os descendentes do famoso poeta quinhentista Doutor António Ferreira", inserto nos Narcóticos, em que Camilo registou o nome do irmão, Vicente Pinheiro Lobo Machado de Melo e Almada, como 8.º neto do poeta quinhentista. A este propósito, escreve Bernardo Pindela: "Sempre lisonjeia a vaidade o sabermo-nos descendentes d' alguém!"

Numa outra, de 21-1-1883, ao manifestar-lhe o agrado pelas suas últimas produções "realistas", estabelece comparação entre o autor de Os Maias, seu íntimo amigo e correspondente: "O Eça de Queirós, de todos os modernos o de mais valor, estou certo daria de bom grado o Padre Amaro, o seu Primo Basílio e até o seu consolado por qualquer dessas três obras - primas a que Camilo chamou - ["] O Eusébio Macário ["], a ["] Corja ["] e o ["] Sr. Ministro ["]".

In CABRAL, Alexandre - Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa : Caminho, 2003