Museu da Fundação Cupertino de Miranda - Centro Português do Surrealismo
O Museu inaugurou a 8 de dezembro de 1972, com a exposição coletiva da 1ª Bienal Nacional de Artistas Novos que pretendia apoiar a arte portuguesa e enriquecer o acervo. No entanto, a Revolução de 25 de abril de 1974 desacelerou a atividade da instituição que foi afetada pelas nacionalizações da Banca.
Nos anos 90, João Meireles (1916–1991), Presidente sucessor e genro do cofundador Arthur Cupertino de Miranda, doou 123 obras ao Museu, de autores essencialmente ligados ao Surrealismo. Ao longo dos anos, o acervo foi-se especializando em Surrealismo com a aquisição de obras por compra, doação e legado. Atualmente, conta com mais de 3000 obras nacionais e internacionais, maioritariamente datadas do século XX.
O Surrealismo é um movimento artístico e literário criado em Paris no início do século XX. O poeta e crítico André Breton (1896-1966) foi o principal mentor deste movimento surgido entre duas Grandes Guerras Mundiais. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o Surrealismo destaca o papel do inconsciente e do automatismo na atividade criativa, sem qualquer controle exercido pela razão e alheio a qualquer preocupação estética ou moral.
A coleção representa os principais artistas do Movimento Surrealista e dedica uma exposição permanente a Cruzeiro Seixas, Fernando Lemos, Mário Cesariny e Julio.
O Museu pretende ser uma referência na promoção da liberdade de expressão, fomentando, através da sua coleção, o diálogo e inspirando novas visões. A sua missão é construir conhecimento sobre a Arte Surrealista Portuguesa, integrando múltiplas vozes e olhares, para estimular o pensamento crítico e a criatividade.

CENTRO DE ESTUDOS DO SURREALISMO – CES
Em junho de 1999 o Diretor Artístico do Museu da Fundação Cupertino de Miranda, Bernardo Pinto de Almeida propõe a constituição de um Centro de Estudos do Surrealismo – CES, tendo por base a objetivação de uma coleção cuja tónica estaria assente na consolidação de um núcleo de obras de arte que responderiam a um cariz surrealista.
NÚCLEO MUITO SIGNIFICATIVO DE OBRAS DE ARTES DO SURREALISMO DE ASSINALÁVEL IMPORTÂNCIA HISTÓRICA
Existem, hoje em Portugal, vários tipos de coleções institucionais, que se constituem pelo seu carácter exemplar ou temática; a Fundação possui um núcleo muito significativo de obras de arte características do surrealismo, distribuídas entre várias técnicas, desde pintura, desenho, escultura, colagem, cadavre-exquis ou objetos, que dão corpo a uma coleção que se tem vindo a construir, com caracter próprio e de assinalável importância histórica.


DOAÇÃO SIGNIFICATIVA DE OBRAS DE CRUZEIRO SEIXAS
O facto de o Eng.º João Meireles ter doado uma significativa coleção de obras adquirida em condições excecionais a Cruzeiro Seixas definiu uma linha orientadora possível à coleção da Fundação.
Foi todavia graças à decisão de prosseguir com aquisições, que foi possível reforçar o núcleo inicial dotando-o de características próprias.
SEGUNDA FASE DE AQUISIÇÕES - OBRAS SIGNIFICATIVAS DO MOVIMENTO SURREALISTA
Uma segunda fase de aquisições permitiu definir, ainda mais claramente os objetivos da Fundação ao fazer passar uma coleção de tendência generalista a um conjunto de obras significativas do movimento.
De acordo com a importância da coleção a ação do CES desenvolveu esforços que permitiram o aumento do acervo através da incorporação de peças representativas do movimento, que facilitam a inserção do museu na comunidade, na região e no país.
Esta seleção faz-se tendo em conta as obras que possam mostrar os antecessores do movimento, principais autores ou ainda seus continuadores; ou obras que pela sua raridade, simbologia ou carácter mereçam a integração nesta coleção, que a diferenciam e a convertem numa coleção de perfil único.


CONTINUIDADE DO CES - NOVO NÚCLEO DE TRABALHO E CONSELHO CIENTÍFICO
A proposta inicial de Bernardo Pinto de Almeida foi revista por Perfecto E. Cuadrado, em 2002, com o objetivo de dar continuidade ao CES; fruto dessa revisão constituiu-se um núcleo de trabalho com coordenação geral de Aníbal Pinto de Castro e com um conselho científico de Perfecto E. Cuadrado, Bernardo Pinto de Almeida, José Augusto-França, Rui-Mário Gonçalves, Fernando Cabral Martins, Fernando Silvestre e Osvaldo Silvestre.
NOVO ÂNIMO - COLABORAÇÕES, RELAÇÕES PRIVILEGIADAS, PROGRAMAÇÃO CONTÍNUA, AQUISIÇÃO DE ACERVOS ARTÍSTICOS E DOCUMENTAIS
Esta segunda fase de ações conferiu ânimo ao CES, cujo percurso se começou a tornar mais evidente colaborando com outras instituições ligadas ao surrealismo e estabelecendo relações privilegiadas com museus e galerias.
A par disso alargou-se a vertente museal com uma programação contínua e anual de exposições; os contactos para compra de obras foram sucessivos, pôde efetivar-se a aquisição dos acervos artísticos e documentais de Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas, a biblioteca de Ernesto Sampaio e, mais tarde, Gonçalo Duarte, Eurico Gonçalves, Fernando Lemos e Julio.


CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DO SURREALISMO
A par da atividade artística, o CES desenvolveu esforços no sentido de tornar a Fundação Cupertino de Miranda e mais particularmente a sua biblioteca num centro de documentação de toda a atividade que diga respeito ao surrealismo e através disso promover o estudo e investigação fazendo da Biblioteca um ponto de passagem indispensável, a quem pretende estudar o universo surrealista.
Paralelamente o CES manteve um plano editorial contínuo através da publicação dos seus cadernos, catálogos das exposições realizadas no museu, apoios a edições de terceiros, que se mostrem relevantes para os estudos do movimento.