
A Exposição Permanente tem como ponto de partida os diferentes temas de cada sala de forma a proporcionar a construção do conhecimento e a compreensão da vida de Bernardino Machado, enquanto cientista, político e educador, assumindo como principal prioridade a divulgação local e nacional da sua vida e obra.
Está dividida em “Famalicão, a época e as gentes”, “O Homem e a Família”, “O Cientista”, “O Pedagogo”, “Pensamento e a ação políticos (1877-1910)”, “O Estadista Republicano (1910-1926)” e “Resistência contra a ditadura (1926-1944)”.

Sala 1 - Famalicão, a época e as gentes
Introduz-se o ambiente histórico, o local, Vila Nova de Famalicão, situando-o em primeiro lugar em relação à Europa na transição do século, os conflitos decorrentes da 2ª Revolução industrial, as transformações económicas e sociais. Daí passa-se a uma apresentação sumária dos reflexos dessas condições em Portugal, e depois, especificamente em Famalicão. Ilustra-se por meio de fotografias de arquivo, o ambiente rural e urbano, e a formação de uma burguesia, a que não é estranho o retorno dos emigrantes do Brasil. Completa o conteúdo da sala uma galeria das personalidades marcantes da história de Famalicão, e a presença de alguns símbolos da autoridade municipal.
Sala 2 - O Homem e a Família
Evoca o ambiente local em que cresceu e viveu Bernardino Machado, procura-se nesta sala evocar o ambiente familiar. Abre com uma “árvore genealógica” permitindo situar no tempo e na sequência de gerações. Objetos pessoais de Bernardino Machado e da família, mostram o gosto e trajar da época. A sucessão de residências que teve na sua vida agitada, e que a traduzem pela sua variedade e diversidade de localizações, é representada por documentação fotográfica.
Sala 3 - O Cientista
A figura de Bernardino Machado como homem de ciência, investigador e docente universitário fica em evidência pela posição central da vitrine contendo os seus trajes e insígnias doutorais de Coimbra. Esta vitrine domina este espaço em que se dispõem em volta imagens relacionadas com a sua vida docente e laboratoriais, objetos de trabalho e publicações científicas.
Sala 4 - O Pedagogo
É o reformador do ensino, o ideólogo das novas conceções da educação que se procura celebrar nesta sala. Dois móveis dominam este espaço – uma biblioteca móvel e uma escrevaninha, mas são sobretudo diplomas de instituições ligadas à educação, documentos acerca das ligações internacionais da sua atividade, escritos doutrinários, recordações e homenagens prestadas por escolas, as peças que ilustram esta faceta do pedagogo e governante.
Sala 5 - Pensamento e a ação políticos (1877-1910)
No final do século XIX Portugal atravessou uma grave crise económica, financeira e política. O déficit comercial, o endividamento externo, a falência dos bancos e a prática do rotativismo entre o Partido Regenerador e o Partido Progressista, foram factores de desestabilização que contribuíram para o agudizar da crise. O descontentamento popular de norte a sul do país, viria a ser capitalizado em proveito do Partido Republicano. A propaganda da nova ideologia não promete apenas a revolução política e cultural, mas também reformas económicas e sociais.
Em 1882, Bernardino Machado estreou-se como parlamentar ao ser eleito deputado regenerador por Lamego. Quatro anos mais tarde, voltou à Câmara dos Deputados, desta vez pelo círculo de Coimbra.
Na década de noventa foi eleito por duas vezes par do reino pelos estabelecimentos científicos (1890 e 1895) e fez parte do ministério regenerador de Hintze Ribeiro como titular da pasta das Obras Públicas, Comércio e Indústria (1893).
Sete anos antes da implantação da República, tornou pública a sua decisão de aderir ao Partido Republicano numa conferência que proferiu no Ateneu Comercial de Lisboa a 31 de Outubro de 1903.
Salas 6 - O Estadista Republicano (1910-1926)
No Governo Provisório que se formou a seguir à implantação da República, sob a presidência de Teófilo Braga, Bernardino Machado foi nomeado para a pasta dos Negócios Estrangeiros. No período de 1912 a 1913, Bernardino Machado foi nomeado ministro de Portugal no Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma notável política de intercâmbio cultural entre Portugal e o Brasil. De regresso ao país, em 1914, assumiu a presidência de 2 governos sucessivos, respondendo assim às solicitações do Presidente da República, Manuel de Arriaga.
Em Agosto de 1915, Bernardino Machado venceu a eleição para a Presidência da República. O seu primeiro mandato decorreu numa conjuntura nacional e internacional bastante adversa. Greves, tumultos e assaltos, carestia da vida, foram alguns dos problemas com que se confrontou no plano nacional. Na senda da política internacional, a participação de Portugal na 1.ª Guerra Mundial originou, internamente, dissidências entre os partidos republicanos, resultando no agravamento da crise política e na queda de sucessivos governos e presidentes da República. A 11 de Dezembro de 1917, na sequência da revolução dezembrista comandada por Sidónio Pais, Bernardino Machado não só foi destituído do cargo como obrigado a exilar-se.
Voltou a ser eleito Presidente da República em 1925. Renunciou livremente ao seu mandato e transmitiu os poderes constitucionais ao Comandante Mendes Cabeçadas a seguir ao golpe militar de 28 de Maio de 1926. Pouco tempo depois, em Fevereiro de 1927, iniciou o seu longo 2.º exílio de 13 anos em Espanha e França. São deste período muitos dos manifestos políticos que escreveu de oposição ao Estado Novo e de incitamento à mudança de rumo político do país.
Salas 7 - Resistência contra a ditadura (1926-1944)
Um ano depois de eclodir a 2.ª Guerra Mundial, Bernardino Machado e outros exilados políticos, abrangidos pela amnistia de Salazar, retornaram a Portugal. Obrigado pelo governo a fixar residência ao norte do Douro, optou por ir viver para o Palacete de Mantelães, propriedade de sua mulher em Paredes de Coura. Fixou-se mais tarde no Porto, onde veio a morrer a 29 de Abril de 1944, contava então 93 anos.
