
O palacete Barão de Trovisqueira foi mandado construir por José Francisco da Cruz Trovisqueira na segunda metade do século XIX, depois de regressar do Brasil para onde tinha emigrado com apenas 10 anos de idade.
Depois de se fixar definitivamente em Portugal, desenvolveu vários projectos, entre os quais uma fábrica de fiação de lã, em Riba de Ave, dotada de um equipamento de fiar com 200 fusos movidos por acção hidráulica, uma tecnologia inovadora num concelho em que a fiação e a tecelagem eram ainda processadas manualmente.
TÍTULO DE BARÃO E PERCURSO POLÍTICO
Em 1864 foi-lhe concedido o título de Barão. Salientou-se também pelos cargos políticos que exerceu: chefe local do Partido Progressista, deputado em duas legislaturas e Presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão em cinco mandatos.
No palacete, cuja construção ficou concluída em 1857, o Barão de Trovisqueira recebeu o rei D. Pedro V e, anos mais tarde, o rei D. Luís I e a rainha D. Maria Pia.
VENDA DO PALACETE
A falência dos bancos e a inevitável crise financeira que se gerou nos finais do século XIX, obrigaram-no a abrir mão do seu património, nomeadamente do palacete, o qual seria vendido em hasta pública a Guilherme Teixeira Folhadela para aí instalar os Armazéns Folhadela.


1944 - ALTERAÇÕES DA ALA SUL E OCUPAÇÃO PARA VARIADOS FINS
Datam de 1944 – quando o palacete voltou a mudar de proprietário –, as profundas alterações da ala sul, com especial incidência na fachada do edifício.
A partir de então o imóvel vai ser ocupado para os mais variados fins: Escola Comercial e Industrial, em 1957, Tribunal de Vila Nova de Famalicão em finais dos anos sessenta, servindo ainda para a instalação de diversos serviços.
1988 - AQUISIÇÃO DO PALACETE PELA CÂMARA MUNICIPAL DE FAMALICÃO
A 30 de Setembro de 1988 a Câmara Municipal comprou o palacete já bastante degradado e a ameaçar ruína, tendo definido como prioridade a reabilitação faseada do edifício, cujas linhas arquitectónicas e artes decorativas caracterizam, de forma singular, as construções típicas do brasileiro “torna-viagem”.
1995 - MUSEU BERNARDINO MACHADO
Em 1995, após a Mostra Nacional do acervo de Bernardino Machado, doado pelos seus familiares ao município, a Câmara decidiu aí instalar o Museu Bernardino Machado, dignificando assim a memória do ilustre estadista, “famalicense de coração”.
