
Em dezembro de 1920, a Comissão Promotora da Homenagem a Camilo Castelo Branco — responsável pela iniciativa da criação de um museu dedicado ao escritor na casa de S. Miguel de Seide, onde viveu os últimos vinte e sete anos da sua vida — entregou solenemente à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão as chaves do novo edifício, bem como o arquivo, a biblioteca e diversos objetos de uso pessoal do romancista.
O arquivo da Casa de Camilo/Centro de Estudos reúne importantes fundos documentais e gráficos que se encontram atualmente em fase de tratamento técnico, com vista à sua breve disponibilização ao público. Entre estes, destaca-se o fundo documental de Camilo Castelo Branco, particularmente a série de Correspondência, através da qual o utilizador poderá aceder a cartas enviadas pelo escritor a figuras como Tomás Ribeiro, Ricardo Jorge ou José de Azevedo e Meneses, revelando a amplitude das suas relações pessoais, intelectuais e profissionais.
O acervo inclui igualmente cartas recebidas de diversas personalidades da sociedade oitocentista, entre as quais o imperador D. Pedro II do Brasil, Francisco Gomes de Amorim, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, Carlos Ramiro Coutinho, visconde de Ouguela, e Alberto Pimentel, reconhecido como um dos principais biógrafos e estudiosos da vida e obra de Camilo Castelo Branco.
Além da correspondência, o fundo de Camilo integra diversos documentos relacionados com a sua trajetória pessoal e profissional, nomeadamente distinções honoríficas, diplomas nobiliárquicos e outros testemunhos relevantes da sua vida pública e privada.
O arquivo da Casa de Camilo/Centro de Estudos custodia também o fundo documental da Comissão Promotora da Homenagem a Camilo. Através deste conjunto — composto por correspondência, estatutos, escrituras, contratos, ofícios, fotografias e outras tipologias documentais — é possível acompanhar o percurso da Comissão desde a sua constituição, a 11 de abril de 1915, até à cessação das suas funções, em 6 de maio de 1921, dando início a partir de então ao museu camiliano.
Paralelamente, integram ainda o espólio documental outros fundos de reconhecida relevância para o estudo da vida e obra camilianas, como o arquivo de Alexandre Cabral, um dos mais importantes investigadores de Camilo Castelo Branco no século XX, que dedicou grande parte da sua atividade intelectual ao estudo do escritor de Seide.
O acervo inclui igualmente arquivos de antigos diretores da Casa de Camilo, entre os quais Benjamim Salgado, Manuel Simões e Aníbal Pinto de Castro, cujos documentos constituem fontes fundamentais para investigadores, estudantes e leitores interessados em compreender a relevância de Camilo Castelo Branco na literatura e na sociedade oitocentista.
A disponibilização pública deste arquivo representa, assim, um importante contributo para a preservação da memória cultural e literária, reforçando o papel da Casa de Camilo como centro de referência para o estudo, valorização e divulgação do legado camiliano.