
Escritor português
(Lisboa, 16.3.1825 - São Miguel de Ceide, 1.6.1890).
Filho natural de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, oriundo de uma farmília da pequena e recente burguesia trasmontana, perde a mãe aos dois anos e o pai aos dez. Por decisão do conselho de família, vai, com a irmã Carolina, viver para Vila Real, a cargo de uma tia paterna, Rita Emília, que não se desvelará muito em carinho pelos dois órfãos.
Em 1843 matriculou-se na Escola Médica do Porto mas não chegou a concluir os estudos de medicina. Tentou em 1846 frequentar Direito em Coimbra, projecto também gorado por não ter sido admitido na Universidade: desde o ano anterior, Camilo começara a publicar poemas Os Pundunores Desagravados, O Juízo Final e O Sonho do Inferno. De regresso a Vila Real, conhece Patrícia Emília de Barros, com quem foge.


Ainda em 1846, e na sequência da revolta da Maria da Fonte, Camilo terá combatido ao lado da guerrilha miguelista o que, segundo alguns biógrafos, lhe deveu a nomeação para amanuense do Governo Civil em Vila Real, mas fugiu da cidade depois de ter publicado, no jornal portuense O Nacional, duas cartas contra o Governador Civil. Foi viver sozinho para o Porto onde começou a colaborar na imprensa e se revelou polígrafo de escrita rápida, com a publicação da narrativa Maria! Não me mates que sou tua Mãe!, de dois volumes de miscelâneas, de um poema e de uma peça teatral.
Em 1850 estava de regresso a Lisboa, onde encetou a sua carreira de polemista com o panfleto O Clero e o Sr. Alexandre Herculano, defendendo o amigo escritor. Neste ano, em que a escrita do romance Anátema e a colaboração em vários jornais – mas também a fundação de alguns outros – marcam a sua dedicação total ao ofício da escrita, conheceu Ana Augusta Plácido, casada com Manuel Pinheiro Alves, mulher fatal, cujo amor impossível quase o levou a abraçar o sacerdócio, tendo solicitado a imposição de Ordens Menores, que lhe foram recusadas devido à vida aventurosa que até então levara.
