Soledade Malvar (1800-1900)

Nasceu na freguesia de Antas (V. N. F.), Maria da Soledade Ramos Malvar, filha de Joaquim e Maria Cleto Ramos Malvar.
Casa-se aos 23 anos com Manuel Ferreira Osório.
Nesse mesmo ano muda-se para Lisboa com o marido e é durante os anos que viveu na capital, que teve a oportunidade de conhecer muitas pessoas influentes da época e explorar um cenário cultural e artístico que até então não lhe havia sido proporcionado.


Faleceu o marido e Maria da Soledade regressa à terra natal.
A morte precoce do marido e a ausência de filhos, tiveram um enorme impacto na vida pessoal de Soledade Malvar. Familiares e amigos, relatam o gesto de continuar a pôr a mesa de jantar para dois, enquanto comia sozinha, até aos seus últimos anos de vida.
As duas alianças, a sua e a de Manuel Osório, foram sempre utilizadas. O berço permanecia vazio no seu quarto, à beira da cama, como se, através destes rituais e manutenção de artefactos, fosse possível manter vivos os seus sonhos e aquele ente querido.
Após a morte do seu marido, Soledade Malvar volta a Vila Nova de Famalicão, e decide construir um edifício na Rua 25 de abril, que teria, além da sua própria residência, uma parte destinada a habitações para arrendamento, além de espaços comerciais e garagens.
Dá-se início à construção do edifício onde hoje está instalada a Casa Museu Soledade Malvar. Edifício projetado pelo Arq.º Eduardo Martins e construído pelo Eng.º Pinheiro Braga.


Instala-se no edifício onde atualmente está instalada a Casa Museu Soledade Malvar.
Foi no edifício da Av. 25 de Abril, que em meados da década de 1960, Soledade Malvar abriu a loja Bric-à-Brac, uma loja de antiguidades, que ganhou notoriedade em todo o país. O sucesso do seu negócio levou a Vila Nova de Famalicão elites culturais e artísticas do norte de Portugal como, por exemplo, Francisco Sá Carneiro, Artur Santos Silva e os arquitetos, Fernandes de Sá e Januário Godinho.
Apesar de manter em atividade a loja de antiguidades, não existe informação sobre o seu horário de abertura ao público, uma vez que a comerciante preferia atender os interessados por marcação. No entanto, parte das peças na sua posse eram deixadas à consignação em antiquários e joalharias de amigos conhecidos, em Guimarães, em Braga, no Porto e na Póvoa de Varzim.
Fecha a loja Bric-à-Brac, embora a sua atividade de antiquaria prolongou-se até 1983. Neste período, Soledade Malvar contou com o serviço de um motorista particular, que a conduzia a lojas de antiguidades, onde a colecionadora adquiriu grande parte do mobiliário pertencente agora à Casa-Museu. Neste período, Soledade Malvar contou com o serviço de um motorista particular, que a conduzia a lojas de antiguidades, onde a colecionadora adquiriu grande parte do mobiliário pertencente agora à Casa-Museu.
Soledade Malvar ia com frequência ao Porto, onde costumava visitar museus, exposições, ir a cafés e assistir a concertos. As idas à Póvoa de Varzim eram motivadas pelas visitas ao antiquário pertencente ao Sr. Joaquim Gonçalves Carneiro. Na loja, Malvar negociava peças, mantendo uma relação bastante próxima com a esposa do comerciante. Essa mesma loja, era frequentada pelo escritor José Régio.


Soledade Malvar terá enviado uma gravura a José Régio e este como forma de agradecimento terá lhe escrito uma carta que consta no acervo documental da Casa-Museu.
1998 – A ideia de doar ao povo o fruto do seu trabalho acompanhava-a à largos muitos anos. A conjugação de vários fatores proporcionou que este seu desejo se consumasse em 1998, através de um acordo com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, que consigna o compromisso da autarquia de construir uma Casa-Museu, mediante a cedência da sua coleção de arte e do imóvel que o acolhe. Dando-se assim a assinatura da Escritura de Doação do acervo de Soledade Malvar à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão,
2002 – É inauguração da Casa Museu Soledade Malvar, com a presença da sua benemérita D. Soledade Malvar, já com 93 anos. Nesse mesmo dia, Soledade Malvar doi agraciada pela Câmara Municipal com a medalha de mérito e benemerência
6 de junho de 2008 – Soledade Malvar vem a falecer em V. N. de Famalicão, com a bonita idade de 98 anos.